Número 2 (2007)‎ > ‎

Ciberdrama e Hipermédia [conteúdos]

Cibertextualidades - Volume 2

INTRODUÇÃO


Ciberdrama e Hipermédia - Rui Torres & Luís Carlos Petry

Uma reflexão acerca das textualidades electrónicas, assunto que nos propusemos ocupar com a criação desta Revista, não pode passar sem o exercício  específico das escritas digitais. Depois de vários anos a estudar estes fenómenos, estamos cada vez mais convictos de que a adequação de conceitos deve ser feita a partir de uma experiência concreta de imersão e de envolvimento com a programação de ambientes interactivos. É dentro desta perspectiva que propomos, para este segundo número da Revista Cibertextualidades, a apresentação de um projecto que nos tem ocupado nos últimos quatro anos. Continuando a cooperação luso-brasileira já iniciada com o primeiro número desta publicação, abrimos a fonte da ópera quântica e interactiva AlletSator, a um conjunto alargado de Investigadores, que connosco têm vindo a acompanhar a criação e a programação deste trabalho.

ENSAIOS

Poesia electrônica no Brasil: Alguns exemplos
- Jorge Luiz Antonio

Este artigo é um breve estudo sobre a poesia eletrônica no Brasil, sob enfoque histórico e num percurso a partir do uso das tecnologias do século XX e XXI (rádio, cinema, vídeo, computador, Internet, Web) que vem produzindo uma poesia que reúne palavra, imagem (estática e/ou animada) e som nos meios eletrônico-digitais (videopoesia, holopoesia, poesia eletrônica), usando a interface, a interatividade, a hipertextualidade e a hipermídia.

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Algumas considerações sobre a possibilidade de um teatro virtual - Anxo Abuín González

Na sua Historia intelectual del siglo XX, Peter Watson dedica o capítulo final à “ordem secreta do caos”, qualificando assim as teorias da complexidade como o último acto dos movimentos científicos da centúria, simbolizado na imparável expansão da Internet. A investigação da caoplexidade, termo introduzido por James Gleick em 1987, ocupa-se, como é sabido, dos fenómenos não lineares e imprevisíveis, e tem conduzido o pensamento científico para uma maior consciência dos seus limites, na verificação de que a teoria «nos revela que hay cosas que no puede revelarnos» (Watson, 2000: 819), de modo que muitos rapidamente começaram a falar em uma era ‘pós-científica’, coincidente  possivelmente com uma já periclitada pós-modernidade, melhor entendida a partir da importância de noções chave como processo, indeterminação ou instabilidade (Best e Kellner, 2001: 110, 120-134). Nessa nova era enquadrar-se-ia também boa parte da produção artística da segunda metade do século XX, dificilmente compreensível caso não fosse situada precisamente no cerne desse espírito de época. Lembraremos aqui a situação colocada em três frentes inter-relacionadas: a música, a hipertextualidade electrónica e, sobretudo, a performance, com um epílogo sobre um possível teatro virtual.

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Conceitos informáticos e escrita teatral - Alain Vuillemin

As primeiras reflexões acerca da aplicação dos computadores e da informática (vista como ciência do processamento de dados) à escrita teatral remontam ao princípio dos anos 60. Em 1959, em Estugarda, na Alemanha, um linguista, Max Bense, e um engenheiro, Théo Lutz, conseguiram produzir em  alemão, com um computador, os primeiros versos livres electrónicos, nunca antes produzidos desse modo. Em 1960, em França, foi um outro engenheiro, François Le Lionnais, quem convenceu Raymond Queneau a fundar em Paris, sob a égide do Colégio da Patafísica, um efémero «Seminário de  literatura experimental» que deu origem, no dia 22 de Dezembro de 1960, ao Oulipo-Ouvroir de Littérature Potentielle.

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DOSSIER - ALLETSATOR

Triálogo: Prelúdio dialogante a AlletSator
- Pedro Barbosa, Pedro Reis e Rui Torres

Na versão hipermédia de AlletSator, fundem-se paradigmas tais como cibertexto (entendido como texto automático), hipertexto, multimédia e interactividade, criando uma sinergia que torna o todo maior que a soma das partes, para formar o que podemos designar, de forma abarcadora e sintética, como uma hipermédia interactiva, que se constitui inegavelmente como um poderoso paradigma para comunicar uma informação e proporcionar uma fruição estética complexas. Neste triálogo, os autores conversam sobre os desafios de passar da versão teatral à hipermédia, entre outros aspectos relacionados com a concepção e desenvolvimento de AlletSator.

Notas sobre AlletSator: o retomar da viagem (sintetizador poético, ciberdrama e hipermédia) - Pedro Reis

Nestas breves páginas proponho uma abordagem panorâmica a uma parte do percurso criativo de Pedro Barbosa que faz dele uma figura incontornável no panorama da ciberliteratura em língua portuguesa. Barbosa tem vindo a dedicar, desde há longa data, uma parte importante do seu trabalho, tanto criativo quanto teórico, à intersecção da literatura com as novas tecnologias, como o comprovam os dois volumes da então designada Literatura Cibernética, publicados nos finais da década de 70.

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Drama ex machina: A teatralidade da tecnologia na peça AlletSator - Eunice Gonçalves Duarte

No seu livro Computers as Theatre, Brenda Laurel utiliza a noção de teatro como metáfora para a conceptualização da interacção homem-computador. Numa primeira abordagem, Laurel procura as semelhanças da interface do computador com as da performance teatral, colocando-as lado a lado enquanto formas de “representação”, de mimesis: “Both plays and human-computer activity are mimetic in nature; that is, they exhibit the characteristics of artistic representations.” Por mais discutível que seja a sua abordagem aos modelos de interface e que a sua análise do modelo teatral se desvie por vezes para outras formas de “representação” como o cinema, Laurel apresenta uma proposta que nos interessa aqui explorar: o facto de o uso da tecnologia sempre ter estado presente nas performances teatrais.

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Poética e Estética em AlletSator – O Adamastor Quântico - Otávio Filho

O texto especula sobre as dimensões poética e estética presentes na Ópera Quântica hipermidiática e interativa AlletSator, apresentando e levantando questões relacionadas com as relações entre a utilização dos dispositivos técnicos e os resultados advindos de tais utilizações. A dimensão poética, enquanto enfrentamento com a “experiência da ferramenta”, ao mesmo tempo em que remete para a dimensão expressiva, amplia e ressoa sobre as relações entre a arte e a ciência. O ambiente tridimensional de AlletSator favorece o aparecimento de tais dimensões e  permite ao leitor, ator, interator, ‘atravessar’ caminhos onde esses aspectos estejam sempre presentes. Este artigo levanta algumas dessas questões.

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O jogo hermenêutico: uma análise de AlletSator - Arlete Petry

Este artigo propõe uma fundamentação do conceito de jogo no contexto da fenomenologia hermenêutica, da hermenêutica filosófica e da teoria dos jogos de linguagem, sendo um contributo para a discussão do que é considerado jogo, quais suas características e sua relevância para uma compreensão da produção de conhecimento. Mostra ainda a presença de tais conceitos no contexto da pesquisa  hipermidiática, concebida como forma pragmático-existencial dos modos de ser do Dasein no caminho do pensar (produção de conhecimento). Dado os conceitos desenvolvidos, os aplica, buscando compreender as estruturas práticas presentes na Ópera Quântica, enquanto exercícios vividos de uma profunda experiência estética dos autores, mostrando a  relevância de uma reflexão conceitual dentro do mundo e das práticas de produção reflexivas.

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Aspectos da hiperimagem em AlletSator - Eric Messa

A proposta deste artigo é apresentar ao leitor uma breve reflexão sobre a obra AlletSator, especialmente sobre como alguns dos trechos desta obra hipermidiática atuam frente àquele que interage com ela. Se consideramos o termo hipermídia como referência a uma determinada linguagem, ao deparar com um produto desta linguagem temos em mãos uma obra que pode oferecer características que envolvem a percepção daquele que interage com ela de maneira particular e portanto diferente de outras linguagens. No caso de AlletSator, estamos em busca de momentos da obra  que promovam uma contemplação geradora de sentido. Ou seja, uma reflexão, uma construção de raciocínio que ocorre durante o percorrer da obra hipermidiática, ou melhor, durante determinado trecho desta obra hipermidiática denominado hiperimagem, refletindo como o uso híbrido das matrizes verbal, sonora e visual, aliadas à características de programação como o processo randômico podem construir um sentido.

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As estruturas tridimensionais digitais e a abertura de sentido - Henrique Sobral

Os processos de modelagem, tal como os processos narrativos, acompanham a civilização humana há muito tempo. Na Mesopotâmia, há cerca de seis mil anos, a argila já era modelada e trabalhada na criação de ladrilhos e na China, há quatro mil anos, a cerâmica era manipulada com destreza (Cf. Bay, 1980, p.5). A modelagem também marca sua presença em um dos mais antigos e conhecidos mitos do ocidente, como observado no fragmento da poesia de F. Rodríguez Marin, citado no início da introdução do livro de J. Bay: “Oficio noble y bizarro / Entre todos el primero / Porque en la industria del barro / Dios fue el primer alfarero Y el hombre el primer cacharro.”

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Hiperáudio no contexto do AlletSator - Maurício Pontuschka

Utilizada com muita criatividade por milhares de profissionais ao redor do mundo, a hipermídia modela um ambiente virtual interativo de amplas possibilidades. Ao modelar um ambiente virtual, ou mundo virtual, tenta-se criar uma realidade plausível e que o usuário compreenda. Quando isto acontece, a navegação neste novo mundo criado torna-se possível e o usuário pode explorá-lo à busca do  desconhecido. A navegação em áudio complementa este mundo virtual, dando vida a sensações que nem sempre estão presas a um espaço físico e sim às nossas mentes. Este artigo trata da utilização de navegação em áudio para introduzir estas sensações em sistemas hipermidiáticos de forma a estabelecer uma navegação paralela e integrada à navegação original da hipermídia.

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ALLEaT SATORi: por uma escrita combinatória em AlletSator - Fábio Fernandes

O presente artigo tem como objetivo mapear o percurso da construção narrativa subjacente à trajetória do interator no projeto AlletSator, apontando suas referências e origens no território literário, particularmente por intermédio de dois eixos: a literatura de ficção científica, representada por expoentes como Isaac Asimov e Arthur C. Clarke, além de nomes mais recentes do gênero como J.G.Ballard, Allen Steele, Dan Simmons e John Varley; e a produção de textos combinatórios de determinados autores do grupo OuLiPo, como Raymond Queneau, Georges Perec e Ítalo Calvino, na criação do que consideramos pertinente batizar de “hiperpuzzles”, ou seja, enigmas que criam lexias que apontam para diferentes percursos narrativos no interior do labirinto atravessado pelo interator. O artigo pretende traçar um breve histórico da literatura de ficção científica experimental (isto é, a literatura voltada para experimentações de forma narrativa, e não apenas de conteúdo de especulação científica) e explicar o processo de construção dos hiperpuzzles e de algumas das lexias por eles formadas.

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TESES

Acaso: Um Palimpsesto na Produção Poético-Tecnológica de Pedro Barbosa
- Vera Tavares de Carvalho

Aborda-se neste artigo o mecanismo do acaso e suas articulações com as propostas interativas contemporâneas, a partir das potencialidades do programa Sintext (1995) – um gerador automático de textos eletrônicos – de Pedro Barbosa, como conexão entre as expressividades poéticas na sua criação, e tecnológicas pelo meio, as quais serão observadas nesta produção do autor, O Motor Textual (2001). O Sintext (1995) um programa realizado por equações matemáticas, cuja estrutura articulada por algoritmos, mais a seleção paradigmática e combinação sintagmática de elementos textuais. Ou seja, o acaso está presente tanto na programação do sistema matemático quanto na articulação do material textual. É no cruzamento dessas determinações que se define o acaso na produção do autor.

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RESENHAS

Resenha da Revista Intervalle 9
- Fabiano Correa da Silva

Revista Intervalle 9, Winfried Nöth, ed. 2006, Semiotic Bodies, Aesthetic Embodiments, and Cyberbodies, Kassel: Kassel University Press (ISBN 3-89958-143-1), 242 pp.


ANEXOS [CD-ROM]

Introdução e utilização da Ópera Quântica AlletSator 4.5
- Luís Carlos Petry

A Revista CIBERTEXTUALIDADES #2 inclui o CD-ROM da Ópera Quântica AlletSator. O presente texto tem como objetivo principal fornecer algumas informações que irão facilitar a aventura dentro desta cibernarrativa.
Subpáginas (1) Download de AlletSator
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